sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Refugiados. O caos na Alemanha.

O texto abaixo é atribuído a uma médica checa que trabalha num hospital de Munique.
Tudo verdade?  
Penso que mentira não será, pois que o contado é similar a outras notícias que conseguem passar.
Mas quem se espanta que isto está (ou pode vir) a acontecer.
Procurei notícias sobre como teria se desenvolvido, este ano, a tradicional Oktoberfest, em Munique. Estava marcada para acontecer entre 19 e Setembro e 4 de Outubro de 2016. 
Ao mesmo tempo, estavam chegando, diariamente, 10 mil refugiados, à estação ferroviária central da cidade. 
Nada vi nos noticiários. 
Nem o Google esclarece alguma coisa.
Em compensação, encontrei o texto de uma carta que uma médica tcheca escreveu a um amigo. 
Ela é anestesiologista e trabalha num hospital de Munique. 
Vejam o que está acontecendo no atual ambiente multicultural da Alemanha, segundo o que ela relata.

“Ontem tivemos uma reunião sobre como a situação aqui e em outros hospitais de Munique ficou insustentável. As clínicas não conseguem lidar com emergências e assim começam a enviar tudo para os hospitais.
Muitos muçulmanos estão recusando ser tratados por funcionários do sexo feminino e, nós, as mulheres, estamos nos recusando a trabalhar entre animais, especialmente africanos. 
As relações entre a equipe e os migrantes está indo de mal a pior. 
Desde o último fim de semana, migrantes que vão a hospitais têm que ser acompanhados por policiais.
Muitos migrantes têm SIDA, sífilis, tuberculose aberta e muitas doenças exóticas que, aqui na Europa, nem sabemos como tratar. Se recebem uma receita, aprendem na farmácia que têm que pagar em dinheiro. Isto leva à explosão de insultos inacreditáveis, especialmente quando se trata de remédios para crianças. Eles abandonam as crianças com o pessoal da farmácia e dizem: Então, curem-nas vocês! Portanto, a polícia não tem que proteger apenas clínicas e hospitais, mas também grandes farmácias.

Só podemos perguntar: Onde estão todos aqueles que, nas estações ferroviárias e na frente das câmeras de TV, mostram os cartazes de boas-vindas?
Sim, por enquanto as fronteiras foram fechadas, mas um milhão deles já está aqui e, definitivamente, não seremos capazes de nos livrar deles.
Até agora, o número de desempregados, na Alemanha, era de 2,2 milhões. 
Agora vai ser 3,5 milhões. 
A maioria destas pessoas é completamente não-empregável. 
Um mínimo deles tem alguma educação.E mais: as suas mulheres não fazem coisa alguma. 
Estimo que uma em cada dez está grávida. Centenas de milhares trouxeram consigo lactentes e crianças menores de seis anos desnutridas e negligenciadas. Se isto continuar, e a Alemanha reabrir suas fronteiras, eu voltarei para casa, para a República Tcheca. Ninguém vai poder me segurar aqui, nem com o dobro do salário. Eu vim para a Alemanha e não para África ou Oriente Médio.
Mesmo o professor que dirige o nosso departamento falou da tristeza em ver a mulher da limpeza fazendo seu serviço, há anos por 800 Euros, e depois encontrar homens jovens estrangeiros, querendo tudo de graça e, quando não conseguem, agtredim verbal e fisicamente, quem lhes nega a doação.
Eu realmente não preciso disso! Mas estou com medo de, se voltar, encontrar o mesmo na República Tcheca. Se os alemães, com os seus recursos, não conseguem lidar com isto, lá seria o caos total. Ninguém que não tenha tido contacto com eles pode ter uma ideia que espécie de animais eles são, especialmente os da África, e como os muçulmanos agem com soberba religiosa sobre a nossa equipe.
Por ora, o nosso pessoal ainda não foi reduzido, em consequência das doenças trazidas para cá, mas, com centenas de pacientes todos os dias, isso é apenas uma questão de tempo.
Num hospital perto do Rheno, os migrantes atacaram a equipe a facadas, depois de trazerem um recém-nascido de 8 meses, que estava à beira da morte, arrastado através de meia Europa, durante três meses. A criança morreu, depois de de dois dias, apesar de ter recebido os melhores cuidados, numa das melhores clínicas pediátricas da Alemanha. O médico teve que passar por cirurgia e duas enfermeiras foram para a UTI. Ninguém foi punido. A imprensa local é proibida de noticiar. 
Nós ficamos sabendo por e-mail.

O que teria acontecido a um alemão, se ele tivesse esfaqueado um médico e duas enfermeiras? 
Ou se ele tivesse jogado sua própria urina, infectada por sífilis, no rosto da enfermeira e a ameaçado de contaminação? 
No mínimo, iria ser preso imediatamente e depois processado. 
Com esse povo,  até agora, nada aconteceu.
Então, pergunto: onde estão todos aqueles que saudaram sua vinda e os recepcionaram, nas estações ferroviárias? 
Sentados, sossegados em casa, curtindo as suas organizações não-lucrativas, aguardando ansiosamente os próximos combóios e o próximo lote de dinheiro em pagamento dos seus préstimos como recepcionistas???!!!
Se fosse por mim, eu arrebanharia todos esses recepcionistas e os traria primeiro aqui, para a ala de emergência do hospital, para agirem como recepcionistas, e depois para um alojamento de migrantes, para que possam cuidar deles lá mesmo, sem policiais armados, sem cães policiais, que hoje podem ser encontrados em todos os hospitais da Baviera, e sem ajuda médica.”
Eis o teor do desabafo desta profissional, que nos pode dar uma ideia do que está sendo preparado, como futuro, através da multiculturação, que está sendo impingida aos povos do velho continente, principalmente à Alemanha.
Toedter

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

RIP Sture...vitima da hipócrisia Sueca.



A "superpotência humanitária europeia'' a Suécia faz o seu melhor para agradar aos refugiados requerentes de asilo, fornecendo-lhes alimentos, roupas e abrigos, mas parece que os seus próprios cidadãos, suecos de origem, em necessidade, são de menor importância e esquecidos. 

Sture, um sem-abrigo de 60 anos foi encontrado morto na manhã de uma quarta feira passada, á porta do hospital de Nynashamn. Sture tinham procurado refúgio contra o frio no referidos hospital durante a noite. Mas não foi autorizado a entrar. Um segurança expulsou-o, e sem qualquer oferta de habitação do município, sem opções, foi forçado a passar a noite numa paragem de autocarros fora do hospital. De manhã, foi encontrado morto, congelado. 

Claro que em Nynäshamnsposten a noticia sobre a morte de Sture foi esquecida pelos media oficiais. Mas as redes sociais divulgaram esta tragédia humana. Sture era um homem descrito como um bom trabalhador ao longo de sua vida, tendo inclusive prestado seerviço nas forças armadas suecas e numa instituição hospitalar. Nos últimos anos, porém, passou a sair com as pessoas erradas e começou a beber, tendo-se rendido ao vicio do álcool. Sture, viveu num alojamento do município, mas foi despejado, para dar lugar aos imigrantes que agora chegam á Europa, especialmente á Suécia. 

Sendo uma pessoa cordata e prestável, não gostava de incomodar os outros, sendo ele mesmo um sem-teto . Foi-lhei prometido tratamento pra se livrar do vício, mas as recaídas criaram uma série de obstáculos no caminho, e o município, abandonou-o. Durante os últimos dias da sua vida, Sture manteve-se quente dentro do hospital, até que o segurança o expulsou do edifício, retirando-lhe os seus agasalhos, os seus pertences. 

Após ter sido expulso do hospital, Sture viveu num abrigo público, mas mesmo ai foi perseguido e expulso, afugentado por outros mendigos estrangeiros. Então, voltou ao hospital e sentou-se no banco da paragem do autocarro, aonde congelou até á morte durante a noite, quando a temperatura era de cerca de 12-14 graus abaixo zero. 
 RIP Sture.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Entrevista de um apátrida (Entrevista a Mário Soares, em 1974, quando Ministro dos Negócios Estrangeiros português.)


Do Jornal "Der Spiegel"

SP — Sr. Ministro, o Governo Provisório está em vias de conceder a independência às colónias da Guiné-Bissau, Angola e Moçambique. Há portugueses que se interrogam se este Governo de Transição, que não foi eleito pelo povo, mas empossado por um golpe militar, tem legitimidade para tomar uma decisão tão histórica.
MS — Isso nos perguntámos logo a seguir à revolução de 25 de Abril. Ponderamos se a descolonização se deveria fazer apenas após eleições regulares. Mas verificou-se que o problema era candente, que dificuldades e demoras surgiam no processo. E assim convencemo-nos que precisávamos de nos apressar.
SP — Há portugueses que julgam que o Sr. se tenha apressado demais — como em tempos os belgas ao se retirarem do Congo.
MS — Estamos há 3 meses no governo, e entretanto fizemos contactos e progressos, mas não creio que tenhamos sido demasiado apressados. Pelo contrário. A situação em Angola, que nos últimos tempos se tornou explosiva, prova que talvez não tivéssemos andado suficientemente depressa.
SP — Sobre as condições de independência o Sr. negoceia exclusivamente com os movimentos de libertação africanos. Na sua opinião eles são os únicos legítimos representantes das populações nas colónias?
MS — Bem, se quisermos fazer a paz — e nós queremos sem demora a paz — temos que falar com os que nos combatem. Isto não implica uma avaliação política ou ética dos movimentos de libertação, mas resulta da apreciação pragmática de determinada situação. E quem nos combate na Guiné? O PAIGC. Assim temos de falar com o PAIGC. Quem nos combate em Moçambique? A Frelimo. Assim temos de falar com a Frelimo.
SP — E com quem pode o Sr. negociar em Angola onde existem vários movimentos rivais?
MS – Em Angola há dois movimentos de libertação reconhecidos pela OUA – o
MPLA e a FNLA. Assim temos de negociar com ambos. Para avaliar qual dos dois é o mais representativo do povo é um problema que os Angolanos e as coligações que no futuro formarão governo terão de resolver mais tarde.
SP — Acredita que esses movimentos e em particular os ainda discutíveis têm suficiente autoridade de impor a solução que vai ser negociada.
MS — Esperamos que sim. Mas o processo de descolonização em Portugal, no formato, não deverá decorrer de modo muito deferente do da Inglaterra e França.
SP — Na Argélia havia um movimento de libertação muito forte, como no Kénia e sem dúvida também na Guiné-Bissau e Moçambique. Mas e em Angola?
MS — Sim, na verdade em Angola a situação é difícil devido às divisões dentro dos movimentos. E nós não podemos alterar aí quase nada. Estamos prontos a falar com cada uma das facções e, dentro das nossas possibilidades, procurar que se unam. Mas não temos muitas ilusões, as nossas possibilidades de intervir aqui são muito limitadas.


SP — Se o processo de descolonização português correr como o inglês ou o francês, na sua opinião qual será a tendência a seguir - como no Kénia que seguiu a via capitalista, ou como a Zâmbia que tenta uma espécie de socialismo africano?
MS — Eu julgo que é sempre perigosa a transposição de modelos estranhos. Mas, de momento, parece-me que a evolução em Moçambique será semelhante à da Zâmbia. Noutras regiões poderá haver outras soluções. Quando falei da semelhança do nosso processo de descolonização com o inglês ou o francês, pensei mais nas linhas gerais — que nós, como potência colonial, como os ingleses e os franceses, devíamos negociar com os movimentos fortes a operar nas colónias.
SP — E o que virá depois das negociações?
MS — Parece-nos importante que as populações sejam consultadas e que, depois do domínio português, não lhes seja imposto outro domínio que poderá não ter a maioria. Gostaríamos que a liberdade da população fosse garantida e assegurada. Mas temos nós, como antiga potência colonial, autoridade bastante para discutir isso? A nós parece-nos isso muito problemático. Por outro lado, o PAIGC e a Frelimo são movimentos de libertação que em anos de luta renhida pela independência ganharam indiscutível autoridade. Eles têm chefes muito qualificados e conscientes das responsabilidades. Com quem mais, a não ser com eles, deveremos negociar?
SP — Sente-se o novo governo português também responsável por aqueles milhares de africanos que, por motivos diversos, colaboraram com o anterior regime?
 MS — Certamente que nos sentimos responsáveis por essa parte da população e sobre o seu destino já se falou por diversas vezes nas conversações. No caso concreto da Guiné, onde o processo está mais avançado, tencionamos, por exemplo, repatriar para Portugal os ex-combatentes africanos que o queiram por não se conseguirem integrar na nova República independente.
SP — Quantas pessoas são essas?
MS — Sabemos de cerca de 3o antigos comandos que aos olhos do PAIGC representam um certo perigo. Para estas pessoas temos de encontrar uma solução qualquer — talvez integrá-los nas forças armadas portuguesas ou coisa semelhante.
SP — Acredita que do lado dos movimentos de libertação exista a boa vontade de não exercer represálias contra os colaboradores africanos do antigo regime?
MS — Sim, isso foi-me espontaneamente assegurado, mesmo antes de nós termos levantado o problema. Também nos deram certas garantias, os movimentos de libertação não são racistas. Eles estão conscientes dos imensos problemas que terão de enfrentar e não querem comprometer já a sua vida política com crueldades e actos de vingança.
SP — No entanto, a "Voz da Frelimo" emissora do movimento para Moçambique tem, nas passadas semanas, por diversas vezes apelado aos soldados pretos para desertarem das tropas portuguesas, sob pena de ajuste de contas após a independência.
MS — Uma guerra, infelizmente não é um jogo de cavalheiros nem um concurso hípico com regras éticas fixas. Tais excessos verbais e ameaças são lamentáveis, mas também muito naturais. Na verdade, não sei se essas ameaças foram feitas, mas considero-as possíveis. Mas até agora tivemos na Guiné e em Moçambique —em Angola ainda não — uma impressionante onda de confraternização e tudo tem corrido muito melhor do que seria de esperar depois de 13 anos de guerra.


SP — Muitos brancos nas colónias portuguesas sentem-se traídos por Lisboa. Com razão?
MS — Se acreditou nos slogans do antigo regime — que Angola é nossa e sê-lo-á para sempre, e que não são colónias mas simplesmente províncias ultramarinas —então terá razão em sentir-se traído. Mas, na realidade, a traição é do regime de Salazar e Caetano que quiseram fazer esta gente acreditar que seria possível oferecer resistência ao mundo inteiro e à justiça.
SP – Qual será o futuro destes brancos desiludidos, se, apesar de tudo, quiserem permanecer em África?
 MS — Se forem leais para com os novos Estados independentes na cooperação e respeitarem as suas leis, não têm nada a temer. Na Guiné, por exemplo, o próprio movimento de libertação exortou-nos a deixar os nossos técnicos, médicos, engenheiros e agrónomos, porque precisavam deles. É cómico: a extrema esquerda portuguesa exigia a nossa saída imediata, total e sem condições, mas os próprios movimentos de libertação não exigiram nada disso.
SP — O que será dos brancos que não querem ficar em África? Em Moçambique já se iniciou entre os brancos um grande movimento de fuga.
MS — É verdade. Mas estou certo que dois anos após a independência e quando as instituições do País funcionarem razoavelmente, haverá mais portugueses, em Moçambique, que hoje. Isto é, aliás, um fenómeno geral. O Presidente Kaunda da Zâmbia disse-me, quando estive em Lusaka: " Saiba que temos aqui na Zâmbia o dobro dos ingleses que tínhamos antes da independência".
SP — E o Sr. acredita que isso também acontecerá em Moçambique?
MS — Sim. Primeiro virão muitos para Portugal, porque têm medo, mas depois regressarão.
SP — E em Angola?
MS — Ali ainda não há muitos que abandonaram o País. Ali generaliza-se entre os brancos uma atitude perigosa. Precisamos de convencer os brancos, no seu próprio interesse, que fiquem, mas já não como patrões, como até agora.
SP — Apesar disso Portugal tem de contar com o regresso de muitos. Como irão resolver o caso?
MS — Isto é para nós um problema económico muito sério, pois não é apenas o regresso dos colonos brancos mas também os soldados — cerca de 150.000 a 200.000 homens que regressam duma assentada. Acrescem ainda os imigrantes que querem regressar desde que Portugal é livre. O assunto está a ser estudado pelo Ministério da Economia e Finanças. Temos de criar novos postos de trabalho, mas isso significa igualmente a reestruturação da totalidade da economia portuguesa, que vai precisar de se adaptar às sociedades industriais modernas.
SP — Não existem portanto planos concretos para absorver os retornados? 
MS — Há investigações adiantadas.
SP — Entre os brancos que não querem regressar a Portugal, tenta-se criar um exército de mercenários para se opor aos movimentos de libertação. Em Angola, nos últimos tempos, radicais brancos de direita provocaram confrontos raciais sangrentos. Pode Lisboa impedir que tais brancos, especialmente em Angola, tomem o poder?
MS — Eu penso que sim. 
SP — Como?


MS — O exército em Moçambique e em Angola é completamente leal para com os que fizeram a Revolução de 25 de Abril. E o exército não permitirá que mercenários brancos ou grupos semelhantes se levantem contra o exército. Tentativas haverá. Em Moçambique já as houve.
SP — E em Angola onde vivem mais do dobro dos brancos e um terço menos de pretos que em Moçambique?
MS — Em Angola haverá certamente uma série de situações mais ou menos desesperadas e tensões perigosas entre as raças. Apesar disso, julgo que por ora o exército pode e fará manter a ordem — a ordem democrática.
SP — Portanto, se necessário, o exército português fará fogo sobre portugueses brancos?
MS — Ele não hesitará e não pode hesitar. O exército já mostrou que tem mão forte e quer manter a ordem a todo o custo
SP — Apesar do exército, não se pode excluir a hipótese de os brancos se declararem independentes, como na Rodésia. Pelo menos Angola podia tentar mesmo economicamente uma tal solução.
MS — De princípio, nos primeiros momentos da Revolução tive muito receio que tal pudesse acontecer. Mas quanto mais o tempo passa, mais difícil se tornará uma tal tentativa.
SP — Suponhamos, no entanto, que tal venha a acontecer — reagiria Lisboa como Londres, na altura, tentando impor um bloqueio económico?
MS — Não creio que em Angola exista uma solução rodesiana, mas se tal acontecesse combatê-la-íamos com todas as nossas forças, pois uma tal solução seria para África e para o Mundo uma aventura inaceitável.
SP — Também se pensou isso no caso da Rodésia e, no entanto, não se pôde evitar.
MS — Para nós tal solução é improvável a não ser que tivéssemos um golpe de direita aqui em Portugal. Nós — este governo democrático — não permitirá que tal solução rodesiana aconteça em Angola ou Moçambique. Eu repito! Nós combatê-la-emos com todos os meios ao nosso dispor.
SP - Porquê?
MS — Porque isso poria em causa todo o nosso processo de descolonização, a nossa credibilidade, e a nossa boa vontade. E porque com uma tal solução até o regresso do fascismo poderia ser encaminhado em Portugal.
SP — Do ponto de vista económico a perda da Guiné e de Moçambique são um alívio para Portugal. Angola, no entanto, com os seus diamantes, petróleo, café trouxe para Portugal as tão necessárias divisas. Pode Portugal dar-se ao luxo de perder essa fonte de divisas?
MS — Todas estas receitas não compensavam os custos de guerra. Nós gastávamos cerca de 2 biliões de marcos por ano com a guerra. O que pouparmos com o fim da guerra compensa plenamente a perda dessas divisas, que de qualquer modo, acabavam na maior parte nos bolsos dos americanos, alemães e ingleses.
SP — Lisboa irá ajudar no futuro as suas antigas colónias? Concretamente: -Se Moçambique independente resolvesse impedir o trânsito de mercadorias da Rodésia para Lourenço Marques ou Beira para exercer pressão política sobre o regime branco de Salisbury, estaria Portugal disposto a compensar Moçambique pela perda de divisas que tal operação acarretaria?
MS — Os nossos meios são escassos, temos de ter em atenção a nossa muito tensa situação económica. Mas, dentro das nossas possibilidades, ajudaríamos, numa tal situação.
SP — No seu livro "Portugal e o Futuro", o general Spínola propunha uma espécie de comunidade portuguesa como forma de cooperação futura entre Lisboa e África. Os movimentos de libertação não deram qualquer importância à ideia. Como serão as futuras relações entre Lisboa e África?
MS — O discurso pragmático proferido pelo general Spínola em 27 de Julho sobre o futuro das colónias está muito distante da concepção do seu livro. Se, algum dia, uma espécie de comunidade dos países lusófonos se verificar, só na condição de todos os países serem realmente independentes. E seriam então os países africanos a dizer até que ponto tal associação poderia ir.
SP — Sr. Ministro, muito obrigado pela entrevista. in: "Der Spiegel" - N° 34/1974•


Não é passado muito tempo que Hans Magnus Enzensberger editor, autor, poeta e filósofo do "Der Spiegel", em conversa sobre este deslumbrado apátrida disse o seguinte:

"Trata-se de um homem com pouca cultura, desconhecimento total sobre política e o ódio contra os portugueses foi visível, tivesse o custo que tivesse pretendia a saída de todos os brancos das colónias portuguesas e tinha deliberadamente decidido matá-los caso não saíssem, ficou-nos a ideia de um homem ambicioso, pouco claro e disposto a tudo para atingir os seus objectivos, a história de Portugal para ele era qualquer coisa sem importância".
Em 2009, Hans Magnus Enzensberger recebeu o especial reconhecimento e confiança pela sua longa carreira e pelo seu excelente livro "The Griffin Poetry".